Abelhas, os cupidos da natureza

Abelhas… campo. Abelhas… mel. Abelhas… ferroada. Abelhas… Macaulay Culkin em ‘O meu primeiro beijo’. É muito provável que estas sejam as suas primeiras associações e que não relacione as abelhas com o seu principal papel: são os melhores agentes polinizadores da natureza.

Antes de mais, recordemos as aulas de ciências. A polinização é o processo que garante a produção de frutos e sementes e a reprodução de diversas plantas, sendo um dos principais mecanismos de manutenção e promoção da biodiversidade na Terra. Para que ela ocorra, entram em ação os polinizadores, que são animais como abelhas, vespas, borboletas, pássaros, morcegos e outros pequenos mamíferos, responsáveis pela transferência do pólen entre as flores masculinas e femininas.

Entre estes, as abelhas são os agentes mais adaptados, mais eficientes e, portanto, os mais importantes no processo de polinização. Existe até uma “fidelidade floral”, com a abelha-comum (Apis mellifera) a ser fiel à espécie de planta que seleciona polinizar, o que aumenta a eficácia do transporte do pólen de uma flor para outra. Sendo esta relação fauna-flora tão forte, percebe-se a necessidade de proteção dos diversos tipos de polinizadores existentes na natureza

Existem no mundo mais de 20 mil espécies de abelhas que formam um universo desconhecido. Vamos sobrevoá-lo.
As abelhas alimentam-se exclusivamente de recursos florais. Por isso, para suprir a sua necessidade alimentar, visitam uma grande variedade de flores, colhendo o pólen (fonte de proteína) e o néctar (para a produção do mel). A atividade de polinização é, portanto, uma ação involuntária dos polinizadores, mas essencial à vida das plantas, que se fazem valer de cheiros, cores e sabores para os atrair. As abelhas cumprem um papel imprescindível, transportando o pólen entre as plantas e garantindo, assim, a variação genética tão importante para o equilíbrio dos ecossistemas e para a reprodução das espécies.

A ameaça
A morte massiva das abelhas está a assombrar a apicultura em todo o mundo. Em menos de 15 anos, 50% a 90% das abelhas desapareceram da face da Terra. Não havendo apenas uma razão para o declínio dos polinizadores, é certo que agroquímicos, desmatamento, queimadas, doenças, ácaros, mudanças climáticas e défice nutricional estão entre as inúmeras causas que explicam o fenómeno “Colony Collapse Disorder” (termo que descreve esta situação). Se quiser saber mais sobre este assunto, veja o documentário “Mais que Mel”, nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro em 2014, que investiga as causas do desaparecimento das abelhas e explica que, sem a polinização feita pelas mesmas, a maioria das nossas frutas e legumes desapareceriam.

A consequência
Sem as abelhas, a renovação das matas e florestas, a produção mundial de frutas e grãos, o equilíbrio dos ecossistemas e a biodiversidade sofreriam um sério impacto, o que afetaria diretamente o ser humano de várias formas. Não só se perderia boa parte da produção de oxigénio, devido à diminuição da vegetação, como não haveria alimento suficiente para abastecer a necessidade atual da humanidade. Culturas como as da amêndoa, maçã, mirtilo, pêssego, laranja, pera, melão, melancia, café, abacate, morango, pepino, algodão, soja, abóbora, cebola, castanhas, entre várias outras, dependem diretamente da polinização feita pelas abelhas.

Por tudo isto, a proteção das abelhas é um tema incontornável, uma vez que são estas que garantem o equilíbrio do ecossistema e a preservação da biodiversidade.

Agora que sabe que as abelhas têm uma vida curta (55 dias, no caso das abelhas-operárias), mas um papel fundamental na natureza, vai continuar a bater-lhes as palmas mas por outras razões.