REDON é pôr o desperdício em pratos limpos

O mais provável daquela receita de sempre, que a mãe prepara todos os domingos, é sobrar. Afinal as mães não sabem fazer comida à conta. ‘Odeio olhar para o fundo da panela!’, dizem orgulhosas da sua saborosa obra-prima. Toda a gente come, toda a gente abre a boca e fecha os olhos para saborear bem devagar.

A seguir, mesmo depois de já se ter repetido duas ou três vezes, continua a não se conseguir ver o fundo da panela. Sobra sempre. E sobra sempre muito. Por isso, depois das despedidas, a mãe avisa que ‘amanhã é dia de REDON, não se pode estragar nada’. E nós? Nós vamos mais felizes a contar os minutos para voltar no dia seguinte e continuar aquele manjar que alimenta os sentidos e traz a família para a mesa. E aí, já não vai sobrar mesmo nada. Que pena. É que um “REDAN” (restos de anteontem) vinha mesmo a calhar.

Reaproveitar os restos que sobram das refeições é hoje uma realidade muito presente na vida dos portugueses. Seja por moda, seja por resultado da recente crise, o que é certo é que aparece sobre a mesa um reaproveitamento das sobras do dia (ou dias) anterior. Levar para o trabalho uma tarte feita com as sobras da carne assada, ou um empadão com o peixe, é quase obrigatório.

Com o planeta limitado de recursos, com os solos cada vez mais intensivamente cultivados ou com os ciclos de crescimento cada vez mais curtos, é hora de perceber que uma consciência ecológica também se serve à mesa. E, já agora, leve as suas sobras para o trabalho em caixa de vidro ou de barro, que o plástico está fora de moda.