A floresta tem um importante impacto ambiental, económico e social na nossa vida. Mas também nos influencia enquanto indivíduos, seduzindo-nos com a sua beleza, os seus sons, cheiros, texturas e sabores.

Da produção de oxigénio à fixação de carbono, passando pela purificação da água e a perpetuação da biodiversidade, até aos alimentos e matérias-primas, dependemos da floresta para sobreviver. Mas também dependemos dela para viver melhor, com harmonia e tranquilidade.

Para além do importante mosaico florestal de biodiversidade, fundamental para criar barreiras naturais à progressão das pragas e dos incêndios, a floresta tem todo um lado lúdico e sensorial que nos encanta. Os nossos cérebros não são máquinas de energia inesgotável. Pelo contrário, cansam-se facilmente. Quando diminuímos a velocidade, paramos a agitação do trabalho e contemplamos belos cenários naturais, não só nos sentimos restaurados, como o nosso desempenho mental melhora consideravelmente.

A floresta reconecta-nos com o que é primordial. E por isso deixa-nos com os sentidos alerta. Tudo é mais intenso quando caminhamos num trilho, à sombra das árvores. As cores são mais vibrantes, os cheiros são mais fortes, a relva é mais macia, o piar dos pássaros é mais melódico, os alimentos sabem melhor.

E se só as palavras não servem para o convencer, aqui ficam as pesquisas.

David Strayer, psicólogo cognitivo na Universidade de Utah, especializado em atenção e desempenho, acha que natureza é o antídoto para as implicações da vida moderna no ser humano. Numa experiência com alunos da Outward Bound (uma rede internacional de escolas de aprendizagem baseada em atividades no exterior), Strayer verificou um desempenho 50% melhor em tarefas criativas de resolução de problemas após três dias de mochila às costas no meio da natureza.

Em Inglaterra, investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter analisaram dados de saúde mental de 10 000 habitantes da cidade, rastreando onde tinham vivido nos últimos 18 anos, e descobriram que as pessoas que moravam perto de espaços verdes tinham menos distúrbios mentais.

O Governo finlandês financiou pesquisas que consistiam em solicitar a milhares de pessoas que avaliassem o seu estado de espírito e os seus níveis de stress após visitarem áreas naturais e áreas urbanas. Com base nesses estudos, a Professora Liisa Tyrväinen e a sua equipa do Instituto de Recursos Naturais da Finlândia recomendam uma dose mínima de exposição à natureza de cinco horas por mês, distribuídas em várias visitas curtas por semana.

No Japão, investigadores da Universidade de Chiba, liderados por Yoshifumi Miyazaki, mostraram que uma simples caminhada de 15 minutos na floresta causa mudanças mensuráveis na nossa fisiologia. Para esta pesquisa, 84 indivíduos foram passear em sete florestas diferentes, enquanto o mesmo número de voluntários andava pelos centros das cidades. No final da experiência, os que caminharam pelas florestas mostraram uma diminuição de 16% no cortisol, hormona relacionada com o stress, bem como uma baixa de 2% na pressão arterial e de 4% na frequência cardíaca.

As várias florestas

As florestas fazem parte do nosso equilíbrio individual, do nosso lado lúdico, dos sentidos e de bem-estar. Mas são, acima de tudo e mais do que nunca, indispensáveis para a sustentabilidade do planeta. Desde logo no lado ambiental, ao serem responsáveis pela retenção anual de 4,3 mil milhões de toneladas de carbono (dados do 5º relatório do IPCC). Os impactos socioeconómicos são, também, conhecidos: de acordo com o World Wide Fund For Nature (WWF, 2017), mil milhões de pessoas em todo o mundo vivem de atividades relacionadas com a floresta.

Nas últimas duas décadas, a floresta mundial terá diminuído a um ritmo de 13 milhões de hectares por ano, sendo que a área de florestas plantadas é a única que continua a aumentar em todas as regiões. Isto porque, por cada árvore colhida numa floresta bem gerida, várias outras são plantadas ou regeneram naturalmente.

E embora a noção de uma floresta sensorial nos remeta para uma imagem de um espaço sem qualquer intervenção humana, a verdade é que as florestas que hoje existem resultam, na sua grande maioria, de decisões, planos e intervenções realizados desde meados do século XIX, na sequência da necessidade e do valor que a sociedade atribuiu aos bens e serviços que prestam.

Existem, assim, vários tipos de floresta, e cada uma com a sua função ou vocação específica. A sua categorização está, de resto, vertida na Estratégia Nacional para as Florestas (ENF). No documento em vigor (2015), as áreas de floresta são classificadas em função dos bens e serviços florestais prestados para satisfação das necessidades da sociedade e dos indivíduos.

Contemplam-se, assim, cinco grupos essenciais:

  • Floresta para produção – madeira, cortiça, biomassa para energia, frutos e sementes, resinas naturais, e outros materiais vegetais e orgânicos, como por exemplo vimes, plantas aromáticas, cogumelos e folhagens;
  • Floresta para proteção – do solo, contra erosão eólica (fixação de dunas) e hídrica (fixação de vertentes e amortecimento de cheias); da rede hidrográfica (margens e qualidade da água) e microclimática (compartimentação de campos e interceção de nevoeiros); contra incêndios (faixas de gestão de combustível); do ambiente (filtragem de partículas e poluentes atmosféricos) e mitigação de alterações climáticas (sumidouro de carbono);
  • Floresta para conservação – de habitats classificados, espécies protegidas e geomonumentos (como jazidas), contribuindo para a manutenção da diversidade biológica e genética;
  • Floresta para silvopastorícia, caça e pesca – de suporte às atividades de conservação de espécies cinegéticas, pastorícia (para produção de carne, leite, lã, peles, entre outros), apicultura e pesca em águas interiores.
  • Floresta para recreio, enquadramento e valorização da paisagem – contribuindo para o bem-estar físico, psíquico, espiritual e social dos cidadãos, enquadrando aglomerados urbanos, monumentos, equipamentos turísticos, áreas de recreio e contemplação, paisagens classificadas, zonas militares, vias de comunicação e zonas industriais, entre outras.

A coexistência destas “várias florestas” acaba por ser o seu principal fator de sustentabilidade. Por exemplo, a produtividade das florestas plantadas retira pressão das florestas naturais, numa coabitação que concilia os impactos positivos ao nível ambiental e socioeconómico.

Só em Portugal, em 2017, data do último boletim estatístico da CELPA – Associação da Indústria Papeleira, as empresas do setor plantaram 4 115 hectares de floresta. Para além de aumentarem a área florestal, estas áreas desempenham um papel crucial ao nível ambiental: as florestas sob gestão da The Navigator Company tinham, em 2018, um stock de carbono, excluindo o no solo, de 5,2 milhões de toneladas, o que equivale às emissões que seriam geradas por 1,4 milhões de carros a percorrer o equivalente ao perímetro da Terra.

A gestão florestal da Navigator combina, de resto, zonas de plantação e zonas de conservação, num mosaico que incentiva a biodiversidade, permitindo um equilíbrio favorável à presença de diferentes espécies de fauna e flora. Nas florestas da Navigator, 10,9% da área é constituída por zonas com interesse para a conservação, e 4 000 hectares estão classificados como habitats protegidos pela Rede Natura 2000. Ali, a Companhia protege um total de 235 espécies de fauna e 740 espécies de flora.

E se só as palavras  não o servem o convencer, descubra alguns estudos sobre este tema na edição de Janeiro da revista #MYPLANET.

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