Especialistas defendem a plantação de árvores como eixo central de remoção de dióxido de carbono da atmosfera. Isto exige ações dos governos, globalmente, mas todos podemos contribuir para o processo, plantando nós próprios ou doando árvores a organizações de reflorestamento.

Permitem-nos respirar. Este é o contributo vital das florestas para o ser humano, mas está longe de ser o único. Elas têm o poder de purificar a água. De nos dar alimento e matérias-primas. De perpetuar a biodiversidade. E, também, de controlar as alterações climáticas. E esta sua função é cada vez mais premente.

O último relatório do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), um órgão intergovernamental das Nações Unidas que tem por objetivo fornecer uma visão científica e objetiva das alterações climáticas, refere que a meta de limitar o aquecimento global a uma subida de 2°C, subscrita no Acordo de Paris Sobre as Alterações Climáticas, não é suficiente. A nova meta, dizem os especialistas, deve ser os 1,5°C, o que implica reduzir as emissões de dióxido de carbono em 45% até 2030 (em relação aos níveis de 2010). Este meio grau, garantem, tem potencial para reduzir em 10 milhões as pessoas expostas ao risco da subida das águas e de se tornarem refugiadas do clima; para evitar a diminuição da biodiversidade e da produção agrícola; para diminuir em 50% as pessoas expostas à escassez de água; e para acarretar menos riscos de saúde. Atingir este objetivo não é fácil, mas é possível, e, para além da redução das emissões dos transportes ou a aposta na bioenergia, este estudo recomenda a plantação de mais árvores, para ajudar a remover o CO2 da atmosfera.

A importância da floresta na mitigação das alterações climáticas tem vindo também a ser defendida pelo New Generation Platations, um projeto do WWF – World Wide Fund For Nature. Mas, apesar das recomendações, a floresta global continua a diminuir e a deflorestação a acelerar: nas últimas duas décadas, a floresta mundial terá diminuído a um ritmo de 13 milhões de hectares por ano.

Fazer crescer a floresta

A contrariar esta tendência está a área de floresta plantada, que tem aumentado. Em 2015, e segundo dados da FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a área era de 277,9 milhões de hectares, correspondendo a 7% da área florestal mundial.

Na Europa, entre 2005 e 2015, a área de floresta plantada teve um crescimento diário equivalente a 1 500 campos de futebol (44 000 quilómetros quadrados). Isto porque, por cada árvore colhida numa floresta bem gerida, várias outras são plantadas ou regeneram naturalmente. E os estudos mais recentes, divulgados pelo New Generation Plantations, afirmam que as florestas plantadas fornecem 33% do consumo global de madeira, com investigadores a preverem que possam estar a produzir para 80% da procura da indústria em 2030. Assim, para além de se apresentarem como uma solução natural para as alterações climáticas, através do sequestro de carbono, as florestas plantadas surgem também como um fator importante para retirar pressão das florestas naturais perante o aumento da procura de madeira enquanto matéria-prima.

As árvores ajudam a remover o CO2 da atmosfera, pelo que são fortes aliadas no combate ao aquecimento global.

Perante a ambição de Portugal de se tornar um país neutro em carbono em 2050, a floresta tem um papel a desempenhar, e a indústria da pasta e do papel também, já que planta árvores todos os dias. Em 2017 – data do último boletim estatístico da CELPA (Associação da Indústria Papeleira), – as empresas deste setor em Portugal plantaram 4 115 hectares de floresta. E, para além de aumentarem a área florestal como um todo, as florestas plantadas absorvem mais carbono do que as de igual dimensão formadas por árvores mais velhas, que acabam por se tornar emissoras de CO2 devido à decomposição.

Quantas árvores são precisas e onde as plantar

A restauração florestal como método essencial para atenuar as alterações ambientais perigosas é algo reconhecido e apoiado por inúmeras convenções e organizações internacionais. Mas, até agora, uma dúvida prevalecia: onde e de que forma concentrar os esforços de reflorestação.

A resposta surgiu este ano, na edição de 5 de julho da revista Science, com a publicação de um estudo de um grupo de cientistas do Instituto Federal de Tecnologia (ETH) de Zurique, na Suíça, que recorreu a um método intitulado fotointerpretação para examinar um conjunto de dados de observações globais relativos a 78 000 florestas. Depois, usando o software de mapeamento do Google Earth, criaram um modelo preditivo que lhes permitiu mapear o potencial global de cobertura de árvores do planeta. Ficaram dissipadas as dúvidas relativas à quantidade e localização das árvores que temos de plantar para contrariar o aquecimento global: 1.2 biliões, numa área total do tamanho dos EUA (cerca de nove milhões de quilómetros quadrados), distribuída pela Rússia, EUA, Canadá, Austrália, Brasil e China.

Este estudo, intitulado “The global tree restoration potencial”, é o primeiro a definir quantas árvores adicionais o planeta tem capacidade para suportar (atualmente, existem cerca de três biliões), onde podem ser plantadas e, a acontecer, quanto carbono conseguiriam absorver. Neste ponto, os cientistas de Zurique referem que os níveis de carbono na atmosfera cairiam 25%, regressando a padrões do início do século XX.

Uma vez que serão necessárias décadas até que estas novas florestas amadureçam e atinjam o seu potencial, as notícias são boas, mas temos de agir já.