Já fechou a sua lista de resoluções de Ano Novo? Se não incluiu a adoção de hábitos mais sustentáveis, damos uma ajuda. E sem decisões radicais ou grandes investimentos.
Um ano a estrear costuma ser o momento ideal para pôr em marcha aquelas mudanças ou decisões que temos vindo a adiar. E, no que toca a reduzir a nossa pegada ecológica, todas as oportunidades são boas para ajustar hábitos. Incluir o planeta nas resoluções de Ano Novo é um ótimo princípio, mas não é preciso passar do 8 ao 80 de um dia para o outro, correndo o risco de desistir logo nas primeiras semanas.
Deixamos algumas sugestões simples, acessíveis e sem custos acrescidos – quando falamos de sustentabilidade, normalmente menos é mais. A ideia não é fazer alterações drásticas, mas sim escolhas mais conscientes, que se tornem hábitos consistentes ao longo de 2026.
Reduzir a nossa pegada ecológica tem impacto real. Pequenas ações, mantidas ao longo do tempo e multiplicadas por milhões de pessoas, podem mesmo fazer a diferença – na luta contra os efeitos das alterações climáticas, na proteção da biodiversidade e, em última análise, na qualidade de vida das novas gerações.
Água: cada pingo conta
A água é um recurso vital e cada vez mais escasso, ao qual ainda não damos a devida atenção. A boa notícia é que pequenas medidas podem representar enormes poupanças. Por exemplo, reduzir a duração do duche e manter a torneira fechada enquanto nos ensaboamos e lavamos o cabelo, tal como fazemos – ou devemos fazer! – ao escovar os dentes, são mudanças simples que fazem a diferença.
Há outras que exigem um pouco mais de disciplina, mas que se tornam naturais com a prática: recolher a água que corre até o chuveiro atingir a temperatura certa e utilizá-la para uma descarga de autoclismo, para regar plantas ou para lavar o chão, é uma delas.
No autoclismo, verifique se é possível reduzir o nível de enchimento ou coloque uma garrafa no seu interior, para reduzir o volume de água. Vale também a pena evitar descargas completas quando não são necessárias e nunca usar a sanita como caixote do lixo – além de gastar água desnecessariamente, traz dificuldades no tratamento das águas residuais.
Energia nos mínimos
No consumo de energia, também há medidas simples que fazem uma diferença significativa. Comece por desligar todos os aparelhos que costumam ficar em stand by, porque continuam a gastar energia mesmo quando não estão a ser utilizados. Substituir a iluminação por lâmpadas LED e aproveitar ao máximo a luz natural, evitando acender luzes desnecessárias, são estratégias igualmente eficazes. Nas máquinas de lavar, escolha sempre o modo ECO, que consome bastante menos energia, mesmo tendo ciclos mais longos.
Outra mudança, mais estrutural, passa por contratar fornecedores de energia de origem renovável, sempre que tal for possível.
Caminhar mais e comer melhor
Na mobilidade e na alimentação, as mudanças podem parecer mais difíceis, porque mexem com rotinas muito enraizadas. O melhor é pensar em pequenos ajustes e não em alterações radicais. Em vez de marcar no calendário o dia em que deixará de comer carne, porque não instituir um dia sem carne por semana? É mais exequível e contribui para reduzir o consumo de alimentos de origem animal. Vale também a pena dar uma atenção especial ao desperdício alimentar, uma frente de batalha essencial, com benefícios ambientais e económicos.
A mobilidade é outra área sensível, mas a lógica é a mesma: experimente um dia sem carro ou, se for viável, partilhar viagens com colegas de trabalho. E lembre-se de que caminhar mais é benéfico para o planeta, mas também para a saúde.
Sou um consumidor responsável?
Quando compramos um produto, sabemos de onde vem e como foi produzido? Damos preferência a artigos de origem local ou nacional? Estas escolhas têm impacto e valem a pena ser consideradas.
E não é só o que compramos que conta, é também a forma como vem embalado. Continuamos a recorrer a plástico descartável, a comprar fruta e legumes embrulhados em película e esferovite, ou já optamos por alternativas em papel e por comprar a granel?
Independentemente das respostas, o que importa é tomar decisões que reduzam o impacto ambiental e, sobretudo, mantê-las ao longo do tempo. Não se trata de perfeição nem de uma lógica de tudo ou nada. Ser mais sustentável é ser consistente, dia após dia, ano após ano. Um passo de cada vez.