Portugal deu novos mundos ao mundo. E, ao fazê-lo, deu também novas árvores ao país.

As árvores são seres viajantes, que se fixam em novos territórios. Em Portugal, na história mais recente, alguma flora não autóctone foi introduzida na época da ocupação romana, mas foi com os Descobrimentos que espécies oriundas dos quatro cantos do mundo entraram com facilidade no país, estabelecendo-se devido à amenidade do clima e à diversidade dos solos. Há centenas de espécies alóctones* espalhadas pelo país, algumas tão comuns que nem nos lembramos que são “estrangeiras”. E outras que chegaram há tanto tempo que já ganharam “nacionalidade”. Vamos conhecer alguns exemplos.

*Termo do grego allos (outros) e khton (terra), que significa aquilo que não tem origem no sítio onde existe. Designa espécies não nativas, vulgarmente conhecidas como espécies exóticas.

Apesar de a oliveira mais antiga de Portugal (em Mouchão, Abrantes) ter 3353 anos e o azeite fazer parte integrante da cultura nacional, a verdade é que a Olea europaea é nativa da costa da Síria e Israel, Norte do Iraque, Irão e Palestina. A sua dispersão pela Europa mediterrânica ficou a dever-se à civilização grega, em cuja mitologia a deusa Atenea ofereceu aos deuses uma oliveira, de cujos frutos se poderia retirar um líquido para alimentar, tratar feridas, limpar o corpo ou iluminar a noite. Em Portugal, há referências a oliveiras no tempo dos Visigodos, no séc. VII, e existe uma variedade autóctone: o zambujeiro.

A espécie Juglans regia (na foto) tem sido cultivada em toda a Europa central desde tempos imemoriais e chegou-nos vinda da zona entre a Ásia Central e o Oeste da China. É cultivada e apreciada pelo seu fruto, a noz, muito utilizado em Portugal, nomeadamente em doçaria. Já a Juglans nigra, ou nogueira-preta, é procedente dos Estados Unidos da América e plantada em Portugal essencialmente pela madeira, considerada de excelente qualidade e usada na produção de móveis e folheados.

É tão comum que quase dispensa descrições. A laranja doce (Citrus sinensis) é mesmo conhecida por laranja portuguesa, por terem sido os navegadores nacionais a trazerem-na do Sudoeste Asiático Tropical e Subtropical para a Europa, no século XV, e a levá-la depois para as Américas. Já a laranja amarga (Citrus aurantium), foi a primeira a ser conhecida pelos europeus, trazida da Ásia pelos comerciantes árabes para a Península Ibérica.

No nosso país foram introduzidas seis espécies diferentes desta resinosa, existindo muitos exemplares de grande porte (podem atingir 60 metros de altura) em parques e jardins, sobretudo a norte do rio Tejo. São originárias do Hemisfério Sul e foram trazidas principalmente da América do Sul e da Austrália. A mais difundida no país é a Araucaria heterophylla, muito resistente ao vento e à salinidade, que vulgarmente se encontra junto à costa. É conhecida como pinheiro-de-norfolk e originária da ilha homónima, no Oceano Pacífico.

Graças à sua copa ampla e sombra aprazível no verão, esta árvore é utilizada na arborização de estradas, arruamentos, parques e jardins. Em Portugal, a espécie mais cultivada designa-se Platanus hibrida e é um cruzamento entre a Platanus occidentalis, da costa atlântica dos Estados Unidos, e a Platanus orientalis, nativa da Europa oriental e do sudoeste asiático, que se crê que tenha sido introduzida nos finais do século XVII em Coimbra.

Proveniente das montanhas semiáridas do Médio Oriente, Turquia, Cáucaso e Ilhas Gregas, o cipreste-comum (Cupressus sempervirens) é, em Portugal, conhecido também como cipreste dos cemitérios, por ser muito plantada nesses locais. No entanto, no passado, a sua presença foi sinónimo de nobreza e, no norte do país, encontramos ciprestes junto aos solares. Nos últimos anos já começou a ser plantado em espaços públicos e a ser usado como cortina de abrigo contra o vento de culturas agrícolas e pomares.

Em Portugal é muito usada em arborização em meio urbano, sendo uma espécie emblemática da paisagem do centro de Lisboa, graças às suas exuberantes flores lilases. Com origem na América do Sul, chegou a Portugal por opção do Jardim Botânico da Ajuda, no início do século XIX. É uma das poucas árvores a ter o mesmo nome comum em quase todos os idiomas do mundo. Cientificamente, é conhecida como Jacaranda mimosifolia.

A espécie Quercus rubra, com origem na América do Norte, encontra-se, em Portugal, sobretudo no Entre Douro e Minho, Trás-os-Montes, Beiras e Douro Litoral. Atinge o máximo de produção de bolota (muito apreciada pelos animais) a partir dos 50 anos, obtendo-se 90 quilos de semente limpa de 100 quilos de semente. A madeira utiliza-se em estruturas e carpintaria, devido à robustez e finura, mobiliário rústico, pisos, carroçaria de transporte, construção naval e travessas de caminho-de-ferro. Tem sido plantado sobretudo pelo seu rápido crescimento, quando comparado com os carvalhos nativos.