Numa altura em que a preservação da biodiversidade assume um papel vital no futuro do planeta, é preciso mergulhar de cabeça num dos ecossistemas mais ameaçados: os oceanos. O que podemos fazer por eles?

Uma boa parte da biodiversidade do planeta está nos oceanos.  Eles são 90% do espaço habitável do Planeta e o lar de milhões de espécies. E nunca como agora foi tão importante olhar para este ecossistema.

Os oceanos precisam da ajuda da Humanidade, e a UNESCO é clara sobre o assunto: segundo este organismo das Nações Unidas, se não se verificarem alterações significativas nos nossos comportamentos, no ano de 2100 mais de metade das espécies marinhas mundiais estarão à beira da extinção.

As alterações climáticas decorrentes da atividade humana têm um impacto direto nestas espécies, numa altura em que a perda de biodiversidade marinha está a enfraquecer este ecossistema, alterando a sua capacidade de resistir a perturbações, de se adaptar às mudanças e de desempenhar o seu papel como regulador ecológico e climático.

A ciência já demonstrou que os animais marinhos são mais vulneráveis do que os terrestres aos aumentos globais da temperatura, à medida que os oceanos absorvem o calor aprisionado na atmosfera pela poluição provocada pelas emissões de dióxido de carbono. Segundo um estudo publicado no ano passado na revista Nature, conduzido por investigadores da Universidade Rutgers, em New Jersey, as espécies marinhas estão a desaparecer dos seus habitats a um ritmo duas vezes superior ao que se verifica em terra.

O peixe é a fonte primária de proteína para pelo menos três mil milhões de pessoas no mundo, pelo que a perda de biodiversidade marinha dificulta a capacidade do oceano de fornecer alimentos para a crescente população, essencialmente nos países em desenvolvimento.

Também somos economicamente dependentes de oceanos saudáveis. De acordo com o World Wide Fund for Nature (WWF), o oceano fornece bens e serviços no valor de 2,2 biliões de euros por ano.

Por um lado, a diversidade biológica está a diminuir mais rapidamente do que nunca na história da Terra. Por outro, apenas uma pequena fração das espécies nos oceanos profundos foram até agora identificadas – é comum dizer-se que o homem tem mais conhecimento sobre a lua do que sobre o oceano, e não é um eufemismo –, tornando esta perda de biodiversidade marinha muito mais difícil de registar e avaliar do que em terra.

Uma longa lista
Criada em 1964, a “Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)” é hoje a fonte de informações mais abrangente sobre o status de conservação global de espécies de animais, fungos e plantas. Atualmente, existem mais de 112 400 espécies nesta Lista Vermelha, com mais de 30 000 espécies ameaçadas de extinção, incluindo 41% de anfíbios, 34% de coníferas, 33% de corais, 25% de mamíferos e 14% de aves.

As classificações de “criticamente em perigo” e “em perigo” significam, ainda que com graus diferentes, que a espécie enfrenta um elevado risco de extinção em estado selvagem. Conheça algumas destas espécies marinhas.

Vaquita (Phocoena sinus)
É o mamífero marinho mais raro do planeta. Esta pequena toninha só foi descoberta em 1958, e, pouco mais de meio século depois, estamos à beira de a perder para sempre. A principal ameaça são as redes de operações ilegais de pesca em áreas marinhas protegidas no Golfo da Califórnia, México, onde habitam exclusivamente. A população de vaquitas caiu drasticamente nos últimos anos: acredita-se que existam apenas 10 em todo o mundo.

Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata)

Também conhecida como tartaruga-verdadeira, é considerada a mais tropical de todas as tartarugas marinhas, devido à sua distribuição geográfica. Têm um padrão distinto de escamas sobrepostas na concha, que formam uma aparência serrilhada nas bordas. E foram essas conchas, estampadas e coloridas, e com elevado valor de mercado, que as colocaram em risco de extinção, devido à caça indiscriminada.

Tubarão galha-branca oceânico (Carcharhinus longimanus)

O famoso oceanógrafo Jacques Cousteau descreveu-o como “o mais perigoso dos tubarões”. Animal típico das zonas tropicais de águas quentes dos Oceanos Pacífico, Índico e Atlântico, vive estritamente em alto mar e a baixas profundidades (150 m). Um grande número é capturado em pescarias com espinhel para atuns e afins. O elevado valor comercial das suas barbatanas também estimula a sua captura.

Lontra marinha (Enhydra lutris)
É o mamífero mais pequeno e o mais recente no oceano, onde vive há cerca de cinco milhões de anos. É o animal com mais pelo do Planeta, com cerca de 155 000 pelos por centímetro quadrado! E foi exatamente o comércio de peles que se tornou no inimigo desta espécie, deixando-a em perigo de extinção.

Cavalo-marinho-branco (Hippocampus whitei)

Também conhecido como cavalo-marinho-australiano, devido à zona exclusiva onde vive, a sua maior ameaça é a pesca abusiva, motivada, entre outros, pelo uso do animal na medicina tradicional chinesa. Também a perda de habitats, como campos de esponjas, corais e algas, contribuíram para o declínio da espécie.