Produzido a partir de polpa de madeira, o lyocell é a resposta da indústria têxtil à necessidade de produzir tecidos amigos do ambiente.

O lyocell é um tecido feito a partir de polpa de madeira dissolvida, proveniente de florestas sustentáveis de eucalipto, carvalho e bétula, que são as três espécies mais adequadas ao fabrico deste “pano”. Resulta da criação humana, mas tem como único ingrediente a polpa da madeira, que, dissolvida e centrifugada, dá origem a fibras fáceis de tecer.

As preocupações ambientais trouxeram-no recentemente para as luzes da ribalta, como o tecido do futuro, mas o lyocell não é exatamente uma novidade na indústria têxtil. Este tecido foi criado em 1972, nos Estados Unidos, pela empresa Enka, que faliu anos mais tarde. Foi depois desenvolvido por outra firma americana, a Tencel, nome pelo qual também ficou conhecido.

Atualmente, a procura de formas de diminuir o impacto das nossas compras e dos nossos hábitos de consumo na natureza levam cada vez mais marcas a incluí-lo nos seus catálogos, particularmente as que têm a ética e a sustentabilidade ambiental como bandeira. Elástico, durável, com um toque agradável na pele e fácil de tingir, o lyocell tem aplicações que vão da roupa de cama ao pronto a vestir e ao vestuário desportivo.

O toque da camurça ou da seda

Além de ser composto por fibras totalmente biodegradáveis, o lyocell tem uma capacidade de absorção de humidade 50% superior à do algodão e é muito respirável. A isto, junta ainda uma grande versatilidade, garantida pelo facto de ter uma fibrilação (os fios extremamente finos que se encontram no exterior do tecido) controlável, que, depois de devidamente manipulada, pode dar origem e tecidos com toques tão distintos como o da camurça ou da seda.

Por outro lado, a sustentabilidade ambiental do lyocell começa logo na floresta que lhe dá origem, uma vez que as espécies utilizadas, cultivadas em florestas com gestão sustentável, não são sujeitas a irrigação intensiva ou uso de pesticidas. Além disso, quando a madeira, devidamente cortada, chega à linha de produção, o solvente utilizado para a ajudar a transformar em polpa (óxido de amina) não só não é tóxico como, na sua maioria, é reciclado durante a produção, sendo apenas uma pequena parte libertada no ambiente. Por último, como o processo de fabrico é rápido, a quantidade de água e energia necessárias é menor do que a requerida por outras fibras.

Contas feitas, olhar com atenção para as etiquetas pode ser muito vantajoso para o ambiente. E “vestir a natureza” é uma tendência de moda que vale a pena seguir.