No tempo excecional que vivemos, precisamos de cuidar da natureza para cuidarmos de nós. O alerta é dado pelas Nações Unidas, por ocasião do Dia Mundial do Ambiente, este ano dedicado à urgência na proteção e preservação da biodiversidade.

A diversidade biológica da vida na Terra abrange cerca de oito milhões de espécies de animais, plantas, fungos e bactérias. Dos oceanos à floresta, esta biodiversidade está a sofrer com a degradação e transformação dos habitats, comprometendo o ambiente e o equilíbrio do planeta. Incluindo o da Humanidade

O alerta lançado pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES), que estima cerca de um milhão de espécies sob ameaça de extinção nas próximas décadas, é enfatizado este ano pelo programa ambiental das Nações Unidas. Sob o lema “Time for Nature”, o Dia Mundial do Ambiente 2020 desperta a atenção de governos, empresas, sociedades e cidadãos para a urgência na proteção e preservação da biodiversidade.

As Nações Unidas instituíram o Dia Mundial do Ambiente em 1972, por altura da sua histórica conferência sobre questões ambientais, que se realizou em Estocolmo, entre 5 e 16 de junho. Assinala-se, desde então, a 5 de junho de cada ano.

O Dia Mundial do Ambiente pretende sensibilizar, mas também estimular a cidadania ambiental, instando as lideranças mundiais a cumprir os seus compromissos de proteção da natureza, de redução das emissões poluentes e de implementação e cumprimento das leis ambientais.

Despertar para a biodiversidade

A pandemia da COVID-19, a mais recente de uma série de surtos de doenças zoonóticas, evidenciou o facto de que, quando a biodiversidade é comprometida, também fica em causa o sistema de equilíbrios da natureza com a vida humana. A preservação dos habitats e os seus fluxos naturais saltou para a ordem do dia com a crise sanitária que vivemos, e a comunidade científica tem sido clara nas ligações que estabelece entre a preservação da biodiversidade e o bem-estar das pessoas.

8 milhões é o número estimado de espécies de animais e plantas no planeta, sendo que cerca de um milhão está hoje ameaçada de extinção.

Nos próximos 10 anos, uma em cada quatro espécies conhecidas poderá desaparecer do planeta.

A mensagem é clara: se a humanidade não mudar o seu comportamento em relação aos habitats selvagens, o risco de surgirem novos surtos de vírus será maior. Uma ameaça que se multiplica pelas transformações que o aquecimento global tem provocado nos ecossistemas e nos recursos naturais.

A saúde do planeta está ligada à nossa própria saúde, e será o que fizermos pela natureza e pela preservação da sua biodiversidade que moldará a vida humana nas próximas décadas. Ou seja, a perda de biodiversidade e dos habitats que a sustentam pode ser revertida, desde que o Homem altere o seu relacionamento com a natureza. A recuperação que o planeta reclama hoje passa pela conservação e restauração da vida selvagem e dos espaços selvagens. Mas também pela promoção de infraestruturas ambientalmente mais responsáveis e pela transformação para um sistema económico circular, que se torne guardião da natureza.

Nos últimos 150 anos, os recifes de corais vivos foram reduzidos para metade.