Há árvores no país que são consideradas de interesse público, com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) a recomendar a sua “cuidadosa conservação”. E há vários eucaliptos nesta lista. Aqui fica um roteiro.

A árvore mais alta da Europa é um eucalipto. Nada de estranho até aqui, uma vez que este género é o único capaz de rivalizar com as coníferas mais altas do mundo, incluindo as famosas sequoias da América do Norte. O que já é mais curioso é que esta árvore mais alta da Europa se encontre em Portugal, na Mata Nacional de Vale de Canas, perto de Coimbra. Trata-se de um Eucalyptus diversicolor, com 73 metros de altura, plantado por volta de 1875. O nome diversicolor refere-se à diferente coloração da parte superior e inferior das suas folhas.

Não é fácil chegar a este majestoso eucalipto. Apesar de ser um exemplar de interesse público, não há placas de indicação na estrada, e mesmo os habitantes da aldeia próxima estão pouco informados. Há uma placa de informação à entrada da Mata, mas a quase um quilómetro da árvore. Apesar das eventuais dificuldades, vale a pena procurar e visitar este E. diversicolor especial.

O Eucalyptus regnans é uma espécie rara em Portugal. O exemplar de interesse público localizado ao cimo do Vale dos Fetos, na Mata Nacional do Bussaco, é o maior desta espécie medido até ao momento em Portugal, com cerca de 72,6 metros. A data da sua plantação não é certa, mas estima-se que terá sido por volta de 1880.

Ainda na Mata Nacional do Bussaco, na estrada de acesso ao Palace Hotel do Bussaco, existe um Eucalyptus globulus classificado pelo seu grande valor ornamental e paisagístico. Tem cerca de 140 anos e 45 metros de altura.

O arboreto da Quinta de Santo Inácio de Fiães, na freguesia de Avintes, Vila Nova de Gaia, é todo ele classificado de interesse público. Inclui exemplares de Eucalyptus globulus, Eucalyptus amygdalina, Eucalyptus linearis, Eucalyptus obliqua, Eucalyptus robusta e Eucalyptus longifolia. O parque cobre uma área aproximada de 3,5 hectares.

Na Gachinha, em Alcácer do Sal, há um conjunto classificado de vinte Eucalyptus camaldulensis centenários, que formam uma alameda que separa a estrada dos arrozais da Ribeira de Santa Catarina. De troncos grossos e copas amplas, alinham-se numa fileira não contínua entre o Km 28 e o Km 29 da EN 253.

Há outro Eucalyptus camaldulensis famoso, na berma da EN 118, a cerca de 1 km a sul da Vila da Chamusca, em Santarém. Este exemplar centenário alberga vários ninhos de cegonha-branca.

Na Mata Nacional de Leiria, encontramos um exemplar isolado de Eucalyptus bicostata, com 160 anos e 53,5 metros de altura, que sobreviveu ao incêndio de outubro de 2017. O perímetro da sua base tem uns “módicos” 15 metros.

Já em Sernelha–Albarqueira, concelho de Penacova, o exemplar classificado é da primeira espécie de eucalipto a ser descrita: um Eucalyptus obliqua. Tem 87 anos e mede 20,5 metros de altura.

A classificação de interesse público atribui às árvores um estatuto semelhante ao de monumento nacional. Um património natural que vale a pena conhecer.

Quinta de São Francisco
A Quinta de São Francisco, propriedade da The Navigator Company na qual está integrado o RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel, é outro dos pontos a merecer visita.

Reconhecida pela sua biodiversidade e pelas centenas de árvores monumentais com que nos cruzamos, este espaço de 14 hectares é povoado muitas espécies, mas é o cheiro a eucalipto que nos dá as boas-vindas. Ali existem quase uma centena de espécies de eucaliptos, sendo vários centenários. Entre elas, um Eucalyptus botryoides plantado em 1901, com 58,8 metros de altura e 4,24 m de PAP (Perímetro à Altura do Peito – medido a 1,30 metros do solo), que é a maior árvore do concelho de Aveiro e o maior exemplar desta espécie a nível nacional.

Faça-se à estrada…
O Eucalyptus globulus é a espécie mais comum em Portugal. E vários têm classificação de interesse público.

  • À saída do Sardoal para Alcaravela, no distrito de Santarém, encontramos à beira da estrada um majestoso globulus, com um grande fuste e copa frondosa. Tem 143 anos.
  • Largo das Árvores, em Murça, Vila Real. Um exemplar com 90 anos, tronco grosso e 45 metros de altura. No mesmo concelho, mas na União das Freguesias de Noura e Palheiros, na berma da EN 15, está um globulus com 110 anos, que constitui um marco na paisagem.
  • Bosquete com 29 exemplares, na Quinta das Conchas, no Lumiar, em Lisboa. Todos árvores de grande porte, com cerca de 100 anos.
  • Conjunto arbóreo de seis exemplares com 128 anos, junto à Capela de Nossa Senhora das Neves, no concelho de Penacova.
  • Ao km 38 da EN 238, em Cabeçudo, está um dos maiores E. globulus existentes na zona de Castelo Branco, com 100 anos e 47 metros de altura.
  • Numa pequena mata da Casa de Esteiró, no concelho de Caminha, encontramos um exemplar de porte notável, com 165 anos, 47 metros de altura e 16,6 metros de perímetro da base.
  • É um dos eucaliptos com maior perímetro de tronco medido até agora em Portugal: 13,75 metros. Localiza-se na berma da EN 206, ao Km 69,5, em Lugar Novo.
  • Em Guimarães, na Serra da Penha, um exemplar com 39 metros e um diâmetro da copa que chega aos 30 metros.