A Árvore do Ano 2026 é um cedro-do-buçaco, plantado há cerca de 75 anos em Runa, Torres Vedras. A espécie – que não é um cedro, nem é do Buçaco – vem da América Central, mas encontrou em Portugal condições que permitiram o crescimento de vários exemplares notáveis.
O Cedro de Runa venceu o concurso Árvore do Ano 2026, com 3 080 votos – mais 190 do que a Árvore-da-Borracha-Australiana, dos Açores, que ficou em segundo lugar. Vai agora representar Portugal no concurso europeu Tree of the Year 2026, em fevereiro.
Este exemplar da espécie Cupressus lusitânica, mais conhecido pelo nome comum de cedro-do-buçaco, terá sido plantado no início dos anos 1950, junto à igreja de Runa, no município de Torres Vedras. Hoje, é um ponto de encontro e um símbolo de identidade para os habitantes da aldeia. Ao longo de gerações, foi testemunha de momentos marcantes na vida da comunidade e ofereceu sombra a encontros, reencontros e partidas.
Um nome que engana
Apesar do nome comum, a Árvore do Ano em Portugal não é, na verdade, um cedro. Nem a sua origem é portuguesa, apesar de o nome científico, Cupressus lusitanica, poder sugerir isso. Trata-se de um cipreste, pertencente ao género Cupressus, o mesmo dos ciprestes mediterrânicos.
A confusão começou quando a espécie foi introduzida em Portugal, no século XVII. A sua aparência, com copa densa e porte elegante, fazia lembrar os verdadeiros cedros, do género Cedrus, o que levou os monges carmelitas da Mata do Buçaco a adotarem esse nome. A associação ao Buçaco, onde a árvore se desenvolveu de forma particularmente exuberante, deu-lhe a designação popular de cedro-do-buçaco, pela qual ficou conhecida até hoje.
Durante cerca de dois séculos, os carmelitas foram responsáveis pela plantação e conservação da Mata do Buçaco, criando um dos mais notáveis jardins botânicos históricos do país, onde convivem espécies nativas e exóticas. Entre elas, o cedro-do-Buçaco destacou-se desde cedo. Ainda hoje existem ali exemplares seculares desta espécie, incluindo o famoso Cedro de São José, com cerca de 33 metros de altura, plantado em 1644 – um dos mais antigos e imponentes do local.
O equívoco estendeu-se também à ciência. O botânico francês Joseph Pitton de Tournefort, que descreveu a espécie no final do século XVII, assumiu que era originária de Portugal, por a ter observado no Buçaco. Foi dessa suposição que nasceu o nome lusitanica.
Hoje sabe-se que a espécie é originária da América Central, nomeadamente de regiões do México, Guatemala e Costa Rica. O chamado cedro-do-buçaco é, portanto, um cipreste americano, que fez de Portugal uma das suas casas mais emblemáticas.
Exemplares que vale a pena conhecer
Em Portugal, esta espécie encontrou condições excecionais para se desenvolver e perdurar, como demonstram os numerosos exemplares monumentais existentes no país. Além do cedro de S. José, há um outro que se tornou célebre pela sua localização: a majestosa árvore, com mais de 150 anos, que se encontra no centro do Jardim do Príncipe Real, em Lisboa.
Também na Quinta de São Francisco, em Aveiro, podem ser observados dois exemplares extraordinários, com 35,3 e 33 m de altura, respetivamente. Estas são apenas duas entre as centenas de árvores monumentais que existem na Quinta, sob proteção da The Navigator Company, mentora do projeto My Planet.