O conhecimento da floresta deve fazer parte do sistema educativo, desde o básico ao universitário. Esse é o único caminho para estimular o interesse dos mais jovens pelo universo florestal, tanto do ponto de vista académico como profissional.
Aproximar a sociedade das florestas, aumentando a sensibilidade para o tema, mas também fomentando o conhecimento – com base nos dados mais recentes da ciência e da investigação –, é uma missão que tem de passar pela escola. O sistema educativo tem, neste contexto, um papel crucial, envolvendo as crianças e os jovens, mas também os professores, peças-chave na transmissão do saber. O caminho para alcançar estes objetivos tem duas vertentes incontornáveis: a da informação e a da formação.
Considerando que grande parte da investigação e da inovação estão a ser produzidas pelos próprios agentes florestais, a proximidade entre as escolas e estas entidades deverá ser estimulada, explorando temas e abordagens que reflitam o conhecimento de base científica adquirido.
Igualmente relevante é não esquecer o ponto de partida: existe atualmente um desinteresse generalizado, muitas vezes até uma certa resistência, sobre tudo o que envolve a floresta e o mundo rural. Este cenário, criado por fatores culturais e sociológicos, mas também por uma transversal falta de recursos, torna “obrigatórias” formas de comunicação apelativas, mas também abordagens que realcem os temas que fazem da floresta um tópico de enorme atualidade – como a inovação, a tecnologia ou o ambiente. Estas abordagens devem revelar como esta área convida à atuação perante os grandes desafios que enfrentamos, hoje, enquanto sociedade.
Neste sentido, as florestas plantadas, nomeadamente as florestas de eucalipto, não podem deixar de ter um lugar de destaque nos conteúdos educativos. Há que mostrar como a sua gestão sustentável é um pilar incontornável para uma bioeconomia circular e de baixo carbono; como estão a tornar-se fontes de matéria-prima alternativa às de origem fóssil; como são mitigadoras das alterações climáticas e promotoras da descarbonização da economia; como protegem as florestas naturais; como fornecem serviços de ecossistema; e como, sendo um motor socioeconómico, geram emprego e dinamizam economias locais, mantendo comunidades e fomentando a coesão territorial.
A criação de materiais pedagógicos específicos sobre o eucalipto é um dos caminhos para se chegar ao “destinatário” e assim contribuir para a formação de uma nova geração mais próxima da floresta, mais consciente, mais informada e menos permeável a preconceitos. Mas podem e devem ser consideradas, igualmente, novas formas de envolvimento e aproximação, que poderão passar, por exemplo, pela realização de visitas de estudo a plantações e a centros de investigação dedicados ao estudo da floresta.
Para que o trabalho de fomentar o interesse nas diversas dimensões da floresta tenha bons resultados, é necessário adaptá-lo às especificidades dos diversos níveis de ensino – desde o básico e secundário, passando pelo profissional e pelo universitário. Este esforço terá, igualmente, de envolver todos os seus agentes: alunos, professores, órgãos de gestão dos estabelecimentos de ensino, pais e encarregados de educação, autores e editoras de manuais escolares, pedagogos e especialistas em educação.
O papel da indústria
Para promover a atratividade dos cursos ministrados e os conteúdos adequados às necessidades do mercado, a indústria também é chamada à ação. Um dos papéis que pode assumir é o de promover uma estreita relação com as instituições de ensino superior, disponibilizando espaços florestais e industriais para fins formativos, de educação e de informação. Outro caminho, que, aliás, já está a ser percorrido, é a participação no financiamento de estudos sobre a floresta e o seu desenvolvimento, nomeadamente através de bolsas de estudo e investigação, programas formativos de professores dos diferentes níveis do ensino, e disponibilização de infraestruturas para eventos de divulgação.