Viver nas alturas: os gigantes do reino animal

23 de Fevereiro 2026

Na natureza, o tamanho conta, e quem se ergue acima da paisagem muda as regras do jogo.

Chegar a folhas fora do alcance da maioria, dominar a paisagem com um simples levantar de cabeça ou percorrer territórios vastos com passos largos. Em diferentes ecossistemas, a altura tornou-se uma ferramenta poderosa.

Estes são alguns dos gigantes do reino animal.

Girafa

A Giraffa camelopardalis é, sem surpresa, o animal terrestre mais alto do mundo. Pode atingir entre 4,5 e quase 6 metros de altura.

Grande parte dessa estatura impressionante está no pescoço, que, sozinho, pode medir mais de dois metros! Mas as pernas também são longas, e bem fortes, capazes de desferir pontapés suficientemente poderosos para afastar leões.

Para um herbívoro, viver nas savanas africanas significa competir por folhas no topo das árvores. Ser alto é, literalmente, uma vantagem alimentar.

Elefante-africano-da-savana

O Loxodonta africana pode atingir cerca de 4 metros de altura ao ombro, que é o ponto de referência utilizado para medir a altura de grandes mamíferos quadrúpedes.

Não chega para roubar a coroa à girafa neste campeonato em altura, mas, se falarmos de massa corporal e volume, ninguém lhe ganha: é o mais pesado animal terrestre vivo, com um macho adulto a ultrapassar facilmente as 6 toneladas. Poucos predadores se atrevem a enfrentar um indivíduo saudável.

Infelizmente, a sua dimensão não o protege das principais ameaças à sua sobrevivência, que são a perda de habitat e a caça furtiva.

Avestruz

A Struthio camelus é a ave mais alta do planeta. Pode ultrapassar os 2,5 metros.

As suas pernas longas permitem-lhe correr a velocidades próximas dos 70 quilómetros por hora, o que é suficiente para escapar à maioria dos predadores terrestres africanos.

Apesar da fama, não é verdade que enterrem a cabeça na areia. Quando parecem fazê-lo, não estão a fingir-se mais baixas, estão apenas a cuidar dos ovos no ninho.

Urso-pardo

O Ursus arctos mede cerca de 1,5 metros ao ombro quando está em quatro patas. Mas, quando se ergue sobre as patas traseiras, pode aproximar-se dos 3 metros.

Esta postura ereta não é apenas intimidatória. Permite-lhe observar melhor o território e captar odores transportados pelo vento – sejam de possíveis alimentos ou de perigo.

Este gigante distribui-se por vastas áreas da América do Norte, Europa e Ásia.

Alce-do-Alasca

Alces alces gigas é a maior subespécie de alce no planeta. Pode atingir cerca de 2,3 metros ao ombro.

Se somarmos pescoço, cabeça e hastes, a sua silhueta torna-se ainda mais impressionante. É um herbívoro que, naturalmente, consome dezenas de quilos de vegetação por dia.

Curiosamente, é também um excelente nadador.

Dromedário

O Camelus dromedarius pode ultrapassar os 2 metros ao ombro.

A altura ajuda-o a dissipar o calor do deserto, afastando a massa corporal do solo escaldante. A corcova, ou bossa, é muitas vezes confundida com reservatório de água, mas na realidade armazena gordura, que pode ser convertida em energia quando o alimento escasseia.

Hoje, o dromedário é um animal essencialmente semi-domesticado, não existindo populações selvagens estáveis.

Bisonte-americano

O Bison bison pode atingir cerca de 1,8 metros ao ombro.

Já percorreu as pradarias norte-americanas em manadas gigantescas, mas no século XIX esteve perto da extinção devido à caça intensiva e a inúmeros vírus bovinos. Hoje, a espécie recuperou parcialmente, com a existência de alguns milhares de indivíduos em parques e reservas dos Estados Unidos, mas continua sob vigilância.

Cavalo Shire

Esta raça específica dentro da espécie Equus ferus caballus é uma das maiores raças de cavalo do mundo. Pode ultrapassar 1,70 metros à cernelha (o ponto mais alto do dorso, entre o pescoço e as omoplatas).

Descendente dos antigos cavalos de guerra ingleses, foi durante séculos utilizado em trabalhos agrícolas e no transporte pesado.

A sua presença é imponente, mas o comportamento tende a ser tranquilo e dócil.

Altura como estratégia

Ser grande tem custos. Corpos maiores exigem mais alimento, mais espaço e mais energia para se manterem. E também chamam mais a atenção, tornando-se mais visíveis para predadores. No entanto, pernas longas permitem percorrer grandes distâncias suficientemente rápido para, eventualmente, escapar a esses mesmos predadores. A sua altura também lhes dá uma vantagem estratégica, quase como ter um miradouro privado: veem mais longe e reagem mais cedo, aumentando a hipótese de escapar ao perigo.

Na natureza, ninguém cresce por acaso. A altura é uma solução evolutiva, moldada por milhões de anos de adaptação ao território, ao clima e à competição por recursos.