Nas férias, o lixo aumenta (e a separação diminui)

20 de Julho 2026

O verão é a época em que Portugal produz mais resíduos urbanos, com o aumento do turismo, o calor e as férias a traduzirem-se em mais consumo e menos cuidado.

Verão é sinónimo de férias, piqueniques, praia e festivais de verão. O convívio aumenta, com tudo o que isso tem de bom. Mas há um reverso: o crescimento significativo da produção de resíduos urbanos. Este é um efeito pouco visível para a população, mas que tem um grande impacto no ambiente.

Entre junho e setembro de 2025 foram produzidas mais de 1,8 milhões de toneladas de resíduos urbanos. Só no mês de agosto, foram ultrapassadas as 480 mil toneladas. São dados avançados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que deixa também um outro alerta: apesar de a população estar a diminuir, o lixo que cada um de nós produz tem vindo a aumentar. Em 2024, o último ano com dados públicos, cada português produziu, em média, 1,4 kg de resíduos por dia. No final, mais de metade dos resíduos urbanos produzidos em Portugal Continental (54%) foram depositados em aterro.

Porque aumenta o lixo no verão?

O pico da produção de resíduos no verão, aponta a APA, é consequência direta do aumento do turismo, do maior consumo de bebidas e alimentos embalados e do recurso frequente a utensílios descartáveis em praias e zonas de lazer ao ar livre. Tudo isto contribui para uma pressão acrescida sobre os sistemas de gestão de resíduos. Em muitos casos, biorresíduos e materiais recicláveis acabam por ser descartados como lixo indiferenciado, perdendo-se a oportunidade de os valorizar ou fazer voltar ao ciclo produtivo.

Pequenos descuidos, porque “é só nas férias”, mas que, quando repetidos por milhões de pessoas ao longo do verão, acabam por ter um impacto significativo.

“Começa por reciclar as desculpas” 

Perante esta realidade, a APA reforçou, durante os meses de verão, a campanha “Vamos Lixar o Lixo”, com o objetivo de incentivar comportamentos mais responsáveis e lembrar que a separação dos resíduos não deve entrar de férias.

A campanha de comunicação é complementada por um roadshow que está a percorrer várias cidades, do Minho ao Algarve, promovendo atividades e desafios dirigidos ao público. A iniciativa procura promover a consciência de que pequenos gestos individuais fazem uma grande diferença e que o verão não pode ser exceção. “Começa por reciclar as desculpas” é uma das mensagens fortes da campanha.

Como inverter a tendência? 

A forma mais eficaz de reduzir resíduos continua a ser evitar consumos desnecessários e combater o desperdício. Ainda assim, há gestos simples que fazem a diferença, mesmo durante as férias:

  • Usar garrafas de água reutilizáveis nas idas à praia, piqueniques e passeios.
  • Evitar recipientes descartáveis sempre que seja possível usar alternativas reutilizáveis, nomeadamente em refeições ao ar livre.
  • Separar e encaminhar corretamente as embalagens dos diferentes materiais, mesmo que o ecoponto fique mais distante do que o habitual.
  • Fazer a separação adequada dos biorresíduos, procurando informação sobre o sistema existente no local onde se está a passar férias.
  • Reduzir o desperdício alimentar, planeando melhor as compras e refeições.
  • Utilizar os pontos de recolha seletiva disponíveis em praias, parques de campismo, festivais e alojamentos turísticos – nunca abandonar resíduos nesses locais.
  • Incentivar familiares e amigos a manter estes cuidados, mesmo durante as férias.

Multiplicados por cada um de nós, estes gestos vão contribuir para reduzir a pressão sobre os sistemas de recolha de resíduos e ajudar a preservar praias, rios, oceanos e florestas. Lembre-se: as férias passam rápido, mas o impacto dos resíduos que produzimos pode durar muitos anos.