Cuidado com as aparências…

3 de Agosto 2026

Sabia que as joaninhas são predadoras incansáveis? E que as estrelas-do-mar são capazes de devorar amêijoas e mexilhões? Ou que o pequeno musaranho imobiliza as suas presas com saliva tóxica? Descubra algumas espécies adoráveis cujas aparências, de facto, iludem.

Leões e panteras, lobos e raposas, águias e tubarões. Quando se fala em predadores, é provável que nos lembremos logo destas e de outras espécies conhecidas pelas suas garras poderosas, pelos seus dentes afiados ou pela velocidade que conseguem atingir para alcançar as suas presas. Mas nem todos obedecem a este “guião” do nosso imaginário. Existem animais que parecem inofensivos, pacatos ou vagarosos – alguns deles até inspiram simpatia, pelos padrões humanos –, mas que são caçadores altamente eficazes.

Estrela-do-mar, devoradora de bivalves

Dificilmente associamos a estrela-do-mar à ideia de um implacável predador carnívoro. E, no entanto, a verdade é que esta caçadora, especializada em moluscos bivalves, usa estratégias impressionantes para dominar as suas presas. Move-se lentamente e não tem cérebro, mas, ainda assim, leva a melhor sobre mexilhões, amêijoas e ostras.

A estrela-do-mar utiliza as suas centenas de pés tubulares com pequenas ventosas para exercer uma força constante até conseguir abrir ligeiramente as duas conchas das suas presas. Através dessa abertura, faz algo extraordinário: projeta o estômago para fora do corpo e inicia a digestão da presa ainda dentro da concha.

Algumas espécies desenvolveram uma estratégia menos sofisticada, mas igualmente surpreendente, para consumir ouriços-do-mar: engolem-nos inteiros e, de seguida, expelem o seu esqueleto.

Joaninha, caça, caça

As joaninhas são, em diversas tradições, consideradas símbolos de boa sorte. Não é certamente assim que as vêm os pulgões, que são o seu alimento de eleição. Predadoras extremamente eficientes, são capazes de capturar e consumir mais de 50 pulgões por dia.

As suas mandíbulas afiadas são as “armas” que usam para capturar a próxima refeição. O aspeto adorável e as pintinhas charmosas, que inspiram lendas e canções infantis, escondem esta sua faceta de caçadora incansável.

Uma vez que os pulgões se alimentam de plantas, inclusive culturas agrícolas, as joaninhas tornaram-se aliadas no controlo natural desta praga. Desempenham, por isso, um importante papel no equilíbrio dos ecossistemas.

Musaranho: pequeno, mas temível 

Com apenas alguns centímetros de comprimento, o musaranho parece um vulnerável ratinho, incapaz de fazer mal a uma mosca. Mas, na realidade, é um predador insaciável. Alimenta-se de insetos, minhocas, aranhas e até de pequenos vertebrados, como rãs, lagartixas ou crias de roedores. Algumas espécies de musaranho produzem saliva tóxica, através da qual conseguem imobilizar as presas maiores. Esta estratégia permite-lhes armazená-las vivas, para consumir mais tarde.

Devido ao seu metabolismo acelerado, as necessidades energéticas do musaranho são muito elevadas. Em alguns casos, chegam a ter de consumir, todos os dias, uma quantidade de alimento equivalente ao seu próprio peso.

Na natureza, não há vilões

Estas espécies lembram-nos que a natureza é muito mais complexa do que as nossas noções de “predador” e “presa”. A evolução deu origem a estratégias surpreendentes para garantir a sobrevivência e nem todos os caçadores têm um aspeto ameaçador. Ainda assim, a estrela-do-mar ou a joaninha não são menos “fofas” por terem este lado menos conhecido. Na natureza, não há julgamentos morais. Trata-se, acima de tudo, de sobreviver. E de cumprir o seu papel no equilíbrio dos ecossistemas.