Quanto custa adiar o futuro?

2 de Junho 2026

O investimento necessário para travar as alterações climáticas mede-se em biliões. Mas os relatórios internacionais começam a apontar para um cenário ainda mais dispendioso: o da inação.

Durante anos, a ação climática foi muitas vezes apresentada como uma escolha difícil entre proteger o ambiente ou proteger a economia. Reduzir emissões, recuperar ecossistemas ou investir na conservação da biodiversidade parecia implicar custos demasiado elevados para governos e empresas. Mas a pergunta começa agora a inverter-se: quanto custará não agir?

O relatório Global Environment Outlook 7 (GEO-7), do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), deixa o aviso: os custos da inação ambiental podem tornar-se muito superiores aos oito biliões de dólares por ano que se preveem necessários para travar o problema. A boa notícia é que os benefícios económicos deste investimento irão superar os custos. A projeção é que haja retornos anuais a partir de 2050, que deverão atingir aproximadamente 20 biliões de dólares em 2070.

Publicado no final de 2025, no contexto da sétima sessão da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-7), o GEO-7 é considerado a avaliação mais abrangente do meio ambiente global já realizada. Analisa a relação entre degradação ambiental, economia, saúde pública e estabilidade social, concluindo que atrasar medidas para reduzir emissões e proteger ecossistemas poderá aumentar significativamente os custos humanos e financeiros nas próximas décadas.

O preço invisível da degradação ambiental

Os efeitos das alterações climáticas já estão a traduzir-se em perdas económicas concretas: fenómenos meteorológicos extremos mais frequentes, quebra de produtividade agrícola, pressão sobre recursos hídricos, danos em infraestruturas ou aumento de despesas de saúde pública associadas à poluição e ao calor extremo.

Ao mesmo tempo, questões como a perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas começam a ser vistas não apenas como um problema ambiental, mas também económico.

Grande parte da atividade humana depende diretamente de serviços prestados pela natureza: solos férteis, polinização, regulação do ciclo da água, proteção costeira ou estabilidade climática. Quando esses sistemas entram em desequilíbrio, os impactos propagam-se pela economia.

Já em 2021, o relatório The Economic Case for Nature (“O Argumento Económico a Favor da Natureza”, em tradução livre), do Banco Mundial, estimava que o colapso parcial de serviços de ecossistemas essenciais – como polinização, pesca ou produção florestal – poderia reduzir o PIB global em cerca de 2,7 biliões de dólares por ano até 2030.

Investir agora para evitar custos maiores depois

O PNUMA defende que atingir emissões líquidas zero até 2050 e travar a degradação da natureza exigirá investimentos avultados – os tais oito biliões de dólares por ano – mas continuar a adiar medidas estruturais poderá tornar os impactos económicos e sociais das alterações climáticas ainda mais severos.

No mesmo sentido, a Agência Internacional da Energia (IEA) considera que a transição energética exigirá investimentos globais de vários biliões de dólares por ano até 2030, mas defende que esse esforço poderá gerar benefícios económicos significativos, incluindo criação de emprego, redução da dependência energética e menores custos associados à poluição atmosférica.

Os impactos ambientais têm também consequências diretas na saúde humana, e, por essa via, enormes custos económicos. Em todo o mundo, são atribuídas 7,9 milhões de mortes por ano à poluição do ar, sendo o segundo principal fator de risco para a morte prematura, de acordo com o relatório State of Global Air 2025. A este custo humano inestimável, juntam-se o aumento de despesas de saúde pública e perdas de produtividade relacionadas com doença e absentismo laboral.

Continuar num cenário de business as usual, ou seja, funcionando como habitualmente, pode parecer mais barato no curto prazo. Mas o agravamento dos impactos climáticos, da degradação ambiental e da pressão sobre sistemas de saúde poderá tornar essa opção significativamente mais dispendiosa no médio e longo prazo.