Os livros nascem das árvores, toda a gente sabe. Mas e se lhe disséssemos que as árvores também nascem dos livros?
Antes de existir papel, já existe uma floresta. Não uma floresta qualquer, mas uma floresta plantada e gerida com o objetivo de produzir madeira de forma contínua e responsável.
Ao contrário do que muitas vezes se imagina, o papel não é feito a partir de florestas naturais nem de áreas protegidas. A matéria-prima vem de plantações geridas para esse fim. É o mesmo princípio de uma cultura agrícola: as árvores são plantadas, crescem durante vários anos, depois são colhidas e substituídas por novas. A utilização de madeira para papel integra, assim, um ciclo produtivo planeado, e não um processo de destruição de florestas naturais.
Este modelo permite uma gestão contínua dos povoamentos, garantindo que a utilização da madeira não implica a redução da área florestal. Na prática, acontece muitas vezes o contrário: a procura por produtos de origem florestal, como o papel, cria valor económico e incentiva os proprietários a plantar mais árvores e a cuidar delas. Sem essa procura, muitas destas áreas poderiam acabar por ser convertidas para outros usos, como agricultura intensiva ou urbanização, diminuindo o território ocupado por floresta.
Não é isso que se tem verificado e os dados confirmam-no. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a área de floresta na Europa aumentou de forma sustentada nas últimas décadas, passando de cerca de 998 milhões de hectares em 1990 para mais de 1 039 milhões em 2025.
Em Portugal, o padrão é semelhante. O relatório Global Forest Resources Assessment 2025 indica que a área de floresta nacional, que tinha diminuído entre 1990 e 2010, tem vindo a recuperar, atingindo os atuais cerca de 3,36 milhões de hectares. Esta evolução está ligada à plantação de novas áreas florestais, num sistema em que a floresta não é apenas utilizada, mas continuamente renovada.
Isto não significa que não existam problemas de desflorestação no mundo. Existem, e são graves. Mas, segundo a FAO, a principal causa está na expansão agrícola, responsável por cerca de 90% da desflorestação global.
A árvore por detrás das páginas
Uma parte significativa do papel produzido em Portugal tem origem no Eucalyptus globulus, uma árvore particularmente eficiente para este fim. Cresce cerca de 12 anos até atingir a maturidade para colheita, um ciclo relativamente curto no contexto florestal, o que permite uma renovação constante da matéria-prima.
Durante esse tempo, cumpre aquilo que qualquer floresta faz de melhor: absorve dióxido de carbono da atmosfera, contribuindo para mitigar as alterações climáticas; protege o solo contra a erosão e ajuda a manter a sua fertilidade; cria condições para a proteção da biodiversidade, integrando ecossistemas dinâmicos.
A madeira resultante deste crescimento continua a armazenar carbono mesmo depois de transformada em papel. Um livro é, nesse sentido, também um reservatório de carbono.
O Eucalyptus globulus é hoje uma das principais matérias-primas para a produção de papel de alta qualidade. As suas fibras curtas permitem obter papéis suaves, opacos e resistentes, ideais para impressão e escrita. Ao mesmo tempo, a sua elevada produtividade possibilita produzir mais papel com menos área plantada, reduzindo a pressão sobre o território.
O que faz a diferença
Perante tudo isto, a questão deixa de ser “usar ou não usar papel”. Passa a ser: que papel estamos a usar?
De acordo com a FAO, 94% da floresta europeia está sujeita a planos de gestão, o valor mais elevado a nível mundial. Estes planos definem como as árvores são plantadas, acompanhadas e colhidas, assegurando a renovação contínua da floresta. Em Portugal, por exemplo, a The Navigator Company, mentora do projeto My Planet e maior produtor europeu de papel de impressão e escrita, gere cerca de 111 mil hectares de floresta, totalmente certificados pelos principais sistemas internacionais (FSC e PEFC).
Escolher papel proveniente de florestas certificadas é apoiar um sistema que promove a gestão responsável, planta novas árvores e assegura a continuidade.
E isso muda tudo. Porque um livro liga floresta, indústria e conhecimento, num ciclo que, quando bem feito, não marca o fim de uma árvore, mas antes o início de muitas outras.